ANA BRANCA DA COSTA MAIA CARDOSO – Portuguesa, nasceu em Angola em 1930. Escritora, poetisa, contista e cronista. É membro da Academia de Letras de Itajaí, da Academia de Letras de Balneário Camboriú, da Academia de Estudos e Pesquisas Literárias de Brasília. Participou de diversas antologias em São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Florianópolis, Itajaí e Rio do Sul. Sócia da revista Figueira (Florianópolis), e da Sociedade de Cultura Latina de Santa Catarina. Destaque especial nos Concursos Nacionais de Poesia de Brasília, de 1994 a 1997; medalha “Láurea Cruz de Mérito Cultural”, Brasília, 1994; medalha Cultural “E. d`Almeida Vitor”, Brasília, 1995; medalha “Stella Brasiliense”, Brasília, 1997; medalha de Prata no XII Concurso Nacional de Contos, Brasília, 1999; diploma do Concurso “Grandes Escritores do Cone Sul” (poesia), Florianópolis, 1999; destaque literário e medalha no Concurso “Milinha”, Rio de Janeiro, 2000; medalha Cultural “Juscelino Kubitschek” (poesia), Brasília, 2002; diploma do Concurso Literário “Amor e Paixão”, São Paulo, 2000; medalha comemorativa dos 25 anos da Revista Brasília, Brasília, 2005. Homenageada pela Pro-Ler e Biblioteca Municipal e Escolar “Norberto Cândido da Silveira Junior” (Itajaí) na 4ª Semana do Livro Infantil com contação das histórias de seus livros. Participação na Enciclopédia da Literatura Brasiliense Contemporânea – Volume XII (2006) da Academia Brasileira de Estudos e Pesquisas literárias de Brasília. Publicou: Sementes Angolanas (poesia) 2000; Contos e Crônicas d’Aquém e d’Além Mar, 2003. Ocupa a cadeira de número 16, cujo patrono é o literato Adolfo Konder.


GUERRAS

Abriram meu cerrado baú da guerra,
predestinados papéis vividos faiscaram...
Na guerra com lágrimas
não se escrevem palavras,
sangram-se idéias
em linhas do coração.
Não se contam horas,
não há relógios fabricados
para eternidades anavalhadas...
Os silêncios gritam medos,
os tiros abafam melancolias
dos traços das angústias...
Na guerra não há nomes
há vultos de emblemático morrer,
de trágicos matusalênicos viveres,
em sumários minutos invisíveis!
Na guerra, as pontes são minas,
quantas chegadas não ocorrem!
Na guerra, os homens não sabem
que são heróis implanejados!
Na guerra, fala-se com a morte,
mesmo quando as veias intumescem de vida.
A guerra nunca termina para quem a viveu.
Fica impregnada a fogo no passado,
num reviver que é sempre semente
brotando forte, à mínima recordação...
Regada por históricas vivências
à tona no chão dos angolanos,
gravadas ao som da Revolução...
Escritos guinchados nos corações rasgados!
na guerra perdi algo de mim,
que não sei como encontrar...
Uma indefinida lacuna
num rastro espargido, incógnito.
Não há pedaço meu que há apreenda!
Me transmuto muito corajosamente,
mas sempre estou incompleta.
Imagino o Atlântico partindo de África,
chegando em vagas ondas prateadas,
deslizando sobre as praias brasileiras,
foi tudo que restou,
o mar imenso tricontinental.
A estrada longa da separação,
onde meus pés de criança iniciaram
A vida, que chamarei viver a vida,
Hoje um caminho de buscas intermináveis...

 

 
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