Infância
As coisas belas da vida,
que às vezes ficam escondidas,
Guardadas na alma da gente,
são: a meiguice ridente,
Iluminado semblante,
que vejo em um infante,
num rosto de uma criança,
São a certeza, a esperança,
São o perdão, a constância,
E o perfume da infância.
(Amor-Criança; p. 31)
Se
Se és simples como os lírios
que ao lado de outros embelezam os campos...
Se és forte para extravasar tuas mágoas,
e grande para esquecer rancores...
Se és orgulhoso de teu cansaço,
ao findar de cada rotina...
Se és corajoso para driblar a sorte
e subestimar especuladores...
Se és controlado no pouco
que fazes por ti “porque mereces”...
Se és vivo o bastante para juntar teus pedaços...
Se és estrela para alguém,
ou farol, no porto da alegria...
Valeu a pena o aprendizado!
Se houve lágrima, valeu a pena:
serviu de argamassa para tua construção;
e, tijolo por tijolo, sustentaste teu ideal,
alimentando o sonho.
Se pouco construíste
não te preocupes:
“A eternidade não tem pressa”.
Vive o momento como se fosse o mais rico.
Se és feliz, é o que importa.
Sou feliz contigo.
Valeu a pena ter somado os anos.
(Bicho-Homem; p. 93)
Selva
Você sabe por que veio?
E neste meio
Você é mais homem do que bicho
Ou mais bicho do que homem?
Nesta selva
O que você leva?
O sol?
As trevas?
Quanto vale?
Até quando?
Pra que tanto?
O tanto é pó.
Montão de terra.
(Bicho-Homem; p. 81)
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