Primeiro Concurso Nacional de Poesias
da Academia Catarinense de Letras e Artes

A Academia Catarinense de Letras e Artes – ACLA torna público o resultado do seu I Concurso Nacional de Poesias:


Resultado

1º lugar: “Velhice”, de Fátima Soares Rodrigues. Belo Horizonte/MG.

2º lugar: “Elegia para SM”, de Maria Apparecida S. Coquemala. Itararé/SP.

3º lugar: “Arte-Fato”, de Alberto Linhares Fontes. Rio de Janeiro/RJ.

4º lugar: “Nele se esconde a vida”, de Selma de Araújo Marfil. Mogi das Cruzes/SP.

5º lugar: “Sombras da memória”, de Fátima Venutti, Blumenau/SC.

6º lugar: “Desejos”, de Leda Coletti. Piracicaba/SP.

7º lugar: “Flagrantes (Esboços)”, de Iná Brasílio de Siqueira. Baependi/MG.

8º lugar: “Entre a Cruz e a Cicuta”, de Cosme Custódio da Silva. Salvador/BA.

9º lugar: “Cicatrizes d’Alma”, de Scheila Maria da Silva Leijoto. Santos/SP.

10º lugar: “Deixe-me”, de Valéria Borges da Silveira. Lapa/PR


Como estabelecido no Edital, os três primeiros lugares receberão Diploma e Troféu. Do 4º ao 10º lugar, receberão certificado de participação.



Velhice
Fátima Soares Rodrigues

O que restará na nossa velhice?
Entre agulhas de tricô, jornais e baralhos,
Vejo imperando, maior que tudo,
O silêncio!

O futuro já feito, dispersado.
O passado ressuscitado
Me faz companhia
E o presente,
Esta ausência do diálogo...
É o conviver constante com o tempo
Que ocupa todos os espaços
E decide não mais sair do lugar
Prolongando o tic-tac do relógio.

Ah! O que me assusta
Não são as rugas,
O corpo arqueado
E o espelho denunciando
Uma terceira pessoa em mim.
O que me inflama
É a eterna busca
Do aconchego,
Do murmúrio de palavras
Que me trazem o eco do outro,
Do estalo das risadas
Ferindo o ar.

É o estar só em meio ao povo
É cada um buscando um lugar
Longe
Para não ter que dividir palavras
E deixar os ouvidos de plantão.

O que me assusta na velhice
É o isolamento,
A falta de acasalamento,
É o ensaio para a solidão derradeira!

Elegia para SM
Maria Apparecida S. Coquemala

No instante em que SM partiu para sempre,
Todos os sinos dobraram nas catedrais, nas capelas,
Sem que ninguém os tocasse...
Até os pequeninos sinos das ovelhas dobravam,
O eco se perdendo pelas campinas...

Todas as flores murcharam nas praças e jardins.
Do buquê das noivas caíram as pétalas das rosas.
E nas fúnebres coroas tombaram margaridas.

O chão se amarelou das flores do ipê.
Janelas se impregnaram do roxo das violetas.
Murchos hibiscos cobriram alamedas.
A primavera se fez inverno.
E as vozes se calaram em um minuto de silêncio
nos lares, nas escolas, nas ruas e praças...
Por toda parte pássaros emudeceram.

No dia em que SM partiu,
A natureza pranteou em chuva incessante...
E o sereno, na longa noite silenciosa,
eram lágrimas rolando
das estrelas distantes...

No dia em que SM partiu para sempre,
criancinhas choravam
a ausência das mãos que presenteavam...
Enfermos se ressentiam das palavras para sempre caladas...
Mendigos recolheram as mãos.
velas se acenderam nos asilos
e às lágrimas de cera se misturavam as humanas.

No dia em que SM partiu para sempre,
mulher e filhos choravam,
vizinhos vieram em pranto.
A cidade parou na tristeza,
entre orações,
se despedindo...
De um santo...

Arte-Fato
Alberto Linhares Fontes


Entre o Canhão e a Caneta
meu silêncio de poeta
é banimento, desterro.
Exilado no meu peito:
Meu peito, terra estrangeira.


Wesley O. Collyer
PRESIDENTE


 

 
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